Como praticar cuidado centrado no paciente?

By 12 de setembro de 2017maio 4th, 2019Nutrição com Evidência, Profissional de Saúde

O fundamento principal do cuidado centrado no paciente é a decisão compartilhada. A tomada de decisão no tratamento não deve ser unilateral! O paciente deve participar ativamente do seu tratamento, sendo questionado e ouvido sobre as opções presentes. Em nutrição clínica, é essencial que o planejamento dietético seja participativo e elaborado com base nas vontades e desejos do paciente para garantir a adesão e o sucesso no tratamento.

Os 10 fundamentos que definem o cuidado centrado no paciente, segundo Schwartz (2013), são os seguintes:

1 – Todos os profissionais de saúde são considerados cuidadores e promotores de saúde;

2 – O cuidado é baseado na construção de uma relação de cuidado contínuo (e não cuidados episódicos);

3 – O cuidado é personalizado, refletindo as necessidades, os valores e as escolhas do paciente;

4 – Conhecimento e informação são compartilhados entre pacientes e profissionais de saúde;

5 – O cuidado deve ser promovido em um ambiente de conforto, paz e apoio (nada de terrorismo nutricional e postura julgadora);

6 – A família, os amigos e o meio social do paciente são considerados partes integrantes da equipe de cuidado;

7 – A segurança do paciente é uma prioridade;

8 – Transparência nas tomadas de decisão;

9 – Todos os profissionais de saúde envolvidos com o paciente devem cooperar um com o outro, trocando experiências e informações, visando seu bem estar;

10 – O paciente é quem controla seu cuidado.

Com isso em mente, como se aplica o cuidado centrado no paciente no consultório/ambulatório de nutrição?

Tente aplicar todos esses conceitos apresentados. Não trate um paciente hipertenso, por exemplo, com foco apenas na hipertensão. Pense nele como um ser humano complexo, com sentimentos, família, amigos, enfim. Toda uma vida, na qual a hipertensão é apenas um detalhe.

Analise seu contexto social e econômico. Analise seu engajamento com o tratamento nutricional. Analise o grau de mudança de comportamento que ele está. Comece a consulta com “como posso ajudá-lo?”. Questione-se: “ele precisa realmente de um planejamento dietético detalhado e complexo nesse momento?”, ou “ele precisa receber muita informação nutricional ou precisa ser mais escutado?”. Deixe o paciente falar, contar sua vida. Isso vai inclusive ajudar a montar um planejamento melhor.

Sempre fale no plural: “nossa meta é a seguinte”, “nosso planejamento é esse”, “nosso foco é em melhorar sua saúde”. Isso envolve mais o paciente, ele passa a ver o profissional de saúde como seu aliado, lado a lado com ele.

Utilize a comunicação de forma adequada. O vocabulário deve ser escolhido de acordo com o nível de entendimento do paciente para poder envolvê-lo. Comunicação é a chave para a adesão.

Quando for montar o planejamento, envolva-o também: “o que você acha de diminuir a quantidade de refrigerante na parte da tarde?”, “você gostaria de inserir uma fruta no lanche da tarde?”, “como podemos fazer para melhorar sua ceia?”.

Por fim, pratique a redução de danos: ao invés de cortar um alimento identificado como problemático, sugira uma redução e uma alternativa. Tente entender o motivo do paciente comer embutidos todos os dias pela manhã, por exemplo: é hábito familiar? É a única opção nas padarias por perto da casa dele? Ele não conhece outras opções? Ele não gosta de cozinhar?

Com essas ferramentas nós promovemos adesão, eficiência e sucesso no tratamento nutricional. E você? Pratica o cuidado centrado no paciente?

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REFERÊNCIA
SCHWARTZ, D. B. Integrating patient-centered care and clinical ethics into nutrition practice. Nutrition in Clinical Practice, v. 28, n. 5, p. 543-555, 2013.
PLATT, F. W. et al. “Tell me about yourself”: the patient-centered interview. Annals of Internal Medicine, v. 134, n. 11, p. 1079-1085, 2001.
STEWART, M. Towards a global definition of patient centred care: the patient should be the judge of patient centred care. BMJ: British Medical Journal, v. 322, n. 7284, p. 444, 2001.