NÃO NEGLIGENCIE A DEFICIÊNCIA DE VITAMINA A EM GESTANTES

By 23 de outubro de 2019 Nutrição com Evidência

Você sabia que a deficiência de vitamina A é frequente nas gestantes?

A função principal da Vitamina A – e mais conhecida – é na visão. O mecanismo para que isso aconteça, de forma resumida, é que a vitamina A na forma de retinal se liga às proteínas opsina (se transformando em rodopsina) e iodopsina (ativando-a). Rodopsina e iodopsina, na retina, são sensíveis à luz, alterando sua conformação e permitindo que haja, portanto, a visão. Esse mecanismo é especialmente importante no escuro, por isso um dos sintomas clássicos de deficiência de vitamina A é a cegueira noturna.

As ações dela, no entanto, não param aqui. A vitamina A é um importante modulador de expressão gênica, com receptores nucleares. Alguns dos genes com expressão aumentada por ela são os de proliferação e diferenciação das células – motivo pelo qual ela é extremamente importante na gestação, na infância e na adolescência.

A vitamina A é encontrada em fontes animais – na forma de retinol – e em hortaliças e frutas (de tons laranja, vermelho e amarelo, além de folhosos) – na forma de carotenoides, alguns dos quais podem ser convertidos em retinol no corpo humano. Acontece que o consumo de retinol e carotenoides é insuficiente em uma parcela importante da população. Sabemos que hortaliças e frutas não fazem parte dos hábitos alimentares na dieta ocidental. Isso se junta ao fato de que na gestação há maior necessidade de vitamina A pelo desenvolvimento do bebê, o que põe as gestantes em alto risco de deficiência (Crit Rev Food Sci Nutr. 2017 Nov 22;57(17):3703-3714).

Alguns estudos apontam prevalência de 6,2% de deficiência em gestantes, mas avaliou-se retinol sérico. Como o retinol é estocado no fígado, o estoque é consumido até afetar a concentração sanguínea. Ou seja, avaliando retinol sérico ignora-se a diminuição do estoque, subestimando a deficiência subclínica.

Agora, uma vez identificada a deficiência, devemos ter cautela na conduta. A suplementação pode ser utilizada, mas não há ainda consenso sobre doses e período necessário. Isso porque a vitamina A, em excesso, tem efeitos adversos graves, especialmente na gestante: é teratogênica, má-formação fetal e defeitos congênitos no sistema nervoso central e no sistema cardiovascular. Em alguns casos, pode gerar aborto espontâneo (Nutrients. 2019 Mar; 11(3): 681).

Sendo assim, minha mensagem é: é ESSENCIAL fazer pré-natal também com nutricionista! A partir de uma prescrição dietética individualizada, a deficiência será evitada pelo consumo adequado de vitamina A. Prevenindo a deficiência, previne-se os efeitos negativos da própria deficiência e também evita-se o risco de toxicidade dos suplementos. Prevenção é a chave.

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