Com os avanços da Nutrição de Precisão, estamos caminhando para o entendimento de que não só cada indivíduo responde de forma única aos variados nutrientes e fitoquímicos, como também que esses nutrientes e fitoquímicos podem modular a resposta genética e bioquímica dos indivíduos. É a Nutrigenética e a Nutrigenômica, respectivamente.

Um bom exemplo é o artigo de revisão publicado por Chilton e cols em 2017, no qual os autores levantam questões referentes à suplementação de ômega 3. Muitos desses estudos mostram efeitos benéficos, enquanto outros mostram efeito nulo. Os autores trazem evidências de que a suplementação deve ser individualizada, pois a resposta à suplementação depende da ingestão habitual de ômegas 3 e 6, da presença ou ausência de polimorfismos nos genes das vias das dessaturases, à utilização prévia de medicamentos, entre outros.

Sabendo dessa e de outras evidências envolvendo Nutrição de Precisão, quero te fazer uma pergunta: Nutri, o que você prescreve? Nutrientes ou comida?

Acho IMPORTANTÍSSIMO nos atualizarmos sobre esses assuntos, até para conseguir gerar cada vez mais resultados positivos no tratamento nutricional. Mas você está sabendo traduzir os nutrientes em um plano alimentar?

Constantemente me deparo com revisões sistemáticas demonstrando eficácia do nutriente X em determinado desfecho. O problema é que muita gente inclui a suplementação imediata desse nutriente na prática clínica, e não é bem assim. Várias dessas doses dos nutrientes presentes nos estudos são possíveis de serem alcançadas com alimentos!

Então quero deixar uma mensagem: pensemos no paciente em primeiro lugar. Com certeza é muito mais prazeroso para o paciente que você aumente a oferta de selênio, por exemplo, acrescentando castanha do Pará no plano alimentar do que simplesmente suplementando uma cápsula. Com algumas exceções, suplementação é muito bem-vinda, mas somente após não conseguir atingir a prescrição do nutriente através do alimento!

REFERÊNCIA CHILTON, F. et al. Precision nutrition and omega-3 polyunsaturated fatty acids: A case for personalized supplementation approaches for the prevention and management of human diseases. Nutrients, v. 9, n. 11, p. 1165, 2017.

Annie Bello Phd
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