Além da saúde do corpo humano, a Nutrição impacta também no meio-ambiente. Cada tipo de alimento produzido demanda recursos naturais diferentes, em quantidades baixas ou altas.
Vamos pegar como exemplo um alimento importado: goji berry. Alguns anos atrás a goji berry “surgiu” na mídia como o alimento milagroso do momento, e assim sua demanda aumentou absurdamente aqui no Brasil. Mas pensemos no caminho que essa fruta fez até chegar às nossas prateleiras:

A planta foi (provavelmente) cultivada e colhida na China (o cultivo exigiu irrigação). Depois de colhidos, os frutos precisaram ser desidratados (consumo de energia elétrica e/ou gás para combustão, depende do método). Houve, a seguir, a acomodação dos frutos em uma embalagem (provavelmente de plástico, que exigiu outros tantos processos para ser obtido). A goji berry então foi transportada da China para o Brasil em um navio cargueiro, que consumiu combustível. O transporte do porto ao centro de distribuição e, finalmente, ao estabelecimento final, consumiu combustível fóssil nos automóveis. Por fim, você ingere a goji berry, e quando ingere tudo, descarta a embalagem plástica no lixo, que demorará mais de um século para se decompor.

Percebem o impacto ambiental que nossas escolhas alimentares causam?

Pensar a alimentação pelo prisma do meio-ambiente é um desafio necessário para TODOS, mas especialmente para nutricionistas! Precisamos levar em conta medidas como a pegada da água, por exemplo, na prescrição dietética.
Sempre há solução! Nenhum alimento é completamente insubstituível, especialmente esses que não fazem parte da nossa cultura alimentar. Ainda falando da goji berry: seu consumo se dá principalmente pelo seu teor de vitamina C e pelos carotenoides e bioativos (pigmentação vermelha). Por que buscar isso em um produto importado se temos, no Brasil, a acerola? A acerola é uma das maiores fontes de vitamina C do PLANETA, além de possuir também carotenoides e bioativos.

A acerola é brasileira, produzida aqui! Então quando você opta por uma porção de acerolas ao invés de goji berry, sua escolha gera demanda por um produto que demandou menos recursos naturais para chegar à sua mesa.
Outra solução iminente e necessária é a diminuição do consumo de carnes por nós. A pecuária é a campeã na pegada da água e na marca de carbono. Muita água precisa ser utilizada na criação de gado, além da geração absurda de gases na atmosfera.

Espero que o post de hoje possa gerar reflexão!

Comer é também um ato político e econômico. Vamos pensar nisso!

Para leitura complementar, sugiro: MEYBECK, A.; GITZ, V Sustainable diets within sustainable food systems. Proceedings of the Nutrition Society, v. 76, n. 1, p. 1-11, 2017.

Annie Bello Phd
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