Bebidas adoçadas englobam refrigerantes, sucos e chás industrializados, guaraná “natural” (que de natural não tem nada) e outros tipos de bebida. Muita gente negligencia o efeito dessas bebidas no organismo e crê que o problema mesmo está somente em alimentos sólidos (fast food, ultraprocessados e companhia). Mas não é bem assim… Em um excelente artigo publicado na revista The Lancet Diabetes & Endocrinology (Lancet Diabetes Endocrinol. 2016 Feb;4(2):174-86), os autores mostram que a América Latina é o segundo maior consumidor de bebidas adoçadas do planeta, ficando atrás apenas da América do Norte. Nos EUA as coisas são tão alarmantes que as bebidas adoçadas chegam a ser quase 40% das calorias totais ingeridas pela população! Os problemas dessas bebidas são inúmeros, sendo os mais comuns cáries dentárias, obesidade, diabetes tipo 2 e doença arterial coronariana, como o próprio artigo aponta. O maior responsável por tudo isso é justamente o açúcar presente nessas bebidas. O açúcar é sacarose, uma molécula formada de glicose e frutose. Ambas em excesso causam esses distúrbios metabólicos.

Recebo muito no consultório pacientes relatando que matam sede com esse tipo de bebida e bebem pouca água. Está errado! Água é indispensável! Sem contar que água não contém açúcar e demais aditivos químicos. Minha intenção não é fazer terrorismo nutricional, é apenas esclarecer que esses chás prontos, sucos de caixa e outras bebidas industrializadas não são inofensivas como parecem. É preciso ter isso em mente! Muito me preocupa a quantidade que as pessoas ingerem! E o mais grave: cada vez mais cedo. É alarmante ver uma criança de 1 ano de idade tomando esse tipo de bebida! Precisamos fazer escolhas melhores. Bebam água. Tracem metas para diminuir a ingestão dessas bebidas até chegar a zero. Se programem quando forem sair, levando de casa água ou um líquido mais saudável, para não precisar comprar na rua.

Annie Bello Phd
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