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DIETA LOW FODMAPS E SAÚDE INTESTINAL: QUANDO E PARA QUEM APLICAR?

By 4 de novembro de 2020dezembro 21st, 2020Nutrição com Evidência

Saiba como utilizar a dieta FODMAPs para tratar sintomas e desconfortos intestinais

Tenho recebido toda semana pacientes que querem uma dieta Low FODMAPs… 🤔🤔

Por isso, neste post, quero te mostrar o que é FODMAPs, como a estratégia funciona e para quais situações utilizar.

FODMAP é a sigla em inglês para Fermentable Oligosaccharides, Disaccharides, Monosaccharides and Polyols (Oligossacarídeos, Dissacarídeos, Monossacarídeos e Polióis fermentáveis). São essencialmente carboidratos de cadeia curta, que não são digeridos pelo trato digestivo humano e que são fermentáveis por bactérias do intestino, podendo causar desconfortos gastrointestinais.

Mas afinal, como e quando prescrever uma dieta low FODMAPS?

A dieta low FODMAPs consiste em restringir temporariamente os alimentos ricos em FODMAPs para controle dos sintomas intestinais até que os “alimentos gatilhos” sejam identificados. É importante ressaltar que é uma estratégia eficaz já reconhecida na literatura e por entidades científicas, como a Federação Brasileira de Gastroenterologia.

E quais são os alimentos ricos em FODMAPs?

São diversos alimentos ricos em FODMAPs. Na lista abaixo eu trago alguns exemplos:

  • Frutas: maçã, pêra, pêssego, manga, melancia, nectarina, cereja, abacate,  frutas secas;

  • Laticínios diversos: leite de vaca, cabra ou ovelha, sorvete, iogurte (mesmo desnatado), queijo fresco e cremoso (ricota, cottage, cream cheese);

  • Hortaliças e leguminosas: Alcachofra, aspargo, beterraba, brócolis, couve, alho, alho-poró, quiabo, cebola, couve-flor, ervilha, grão de bico, feijão, lentilha;

  • Cereais e massas: pães, bolos, biscoitos ou cereais contendo trigo e centeio e cereais com xarope de milho.

Como são muitos os alimentos ricos em FODMAPs, o nível de restrição é grande, tornando a dieta bastante complexa. As chances de inadequação na ingestão de fibras, micronutrientes e compostos bioativos são altíssimas, podendo levar a quadros de constipação, disbiose e deficiência nutricional. Por isso é tão importante saber para quem aplicar, por quanto tempo e de que forma prescrever. 

Então, para quem prescrever a dieta Low FODMAPs?

Em alguns casos de SIBO (síndrome do supercrescimento bacteriano intestinal), os pacientes apresentam sintomas como distensão abdominal, dor, gases, inchaço, e podem apresentar complicações em decorrência da  alteração na permeabilidade da barreira intestinal. A SIBO é muito prevalente na Síndrome do Intestino Irritável, na Doença de Crohn e na Doença Celíaca, por exemplo, e as evidências mostram que pacientes com SIBO podem se beneficiar com uma dieta pobre em FODMAPs.

👉🏽👉🏽 Lembrando que essa dieta não deve ser utilizada por longo prazo, e sim por um tempo curto para que ocorra a melhora dos sintomas e queixas gastrointestinais. E precisa de acompanhamento nutricional!

Nos casos de Síndrome do Intestino Irritável, um artigo de revisão publicado no World Journal of Gastroenterology, intitulado: Diet in irritable bowel syndrome: What to recommend, not what to forbid to patients! (Dieta na Síndrome do Intestino Irritável: o que recomendar e não o que proibir para os pacientes!), mostrou abordagens de primeira e segunda linha para o tratamento:

  • O tratamento de primeira linha consiste na redução de cafeína,  pimenta e lactose, e o aumento de fibra solúvel (psyllium) e líquido (1,5 – 3 litros);

  • O tratamento de segunda linha consiste em fazer uma dieta pobre em FODMAPs, ou seja, restringir principalmente os monossacarídeos (frutose), dissacarídeos (lactose), os oligossacarídeos (GOS e FOS) e os polióis (xilitol, manitol, sorbitol).

Quando prescrevemos uma dieta com tantas restrições, temos que ter o cuidado de informar ao paciente o que ele pode incluir na alimentação durante a dieta low FODMAPs, e é por isso que temos também a lista de alimentos pobres em FODMAPs.

Segue alguns exemplos:

  • Frutas: banana, amora, carambola, uva, abacaxi, melão, kiwi, limão, lima, laranja, tangerina, morango, maracujá.

  • Laticínios: leite sem lactose, iogurte sem lactose, leite de soja, leite de arroz ou amêndoa, manteiga.

  • Hortaliças e leguminosas: Broto de bambu, cenoura, aipo, milho, berinjela, alface, cebolinha, pepino, abóbora, abobrinha, alface, tomate, espinafre, batata inglesa, batata doce.

  • Cereais e massas: farinhas, pães, macarrão e biscoitos sem glúten, produtos com farinha de milho ou mandioca, quinoa, arroz, tapioca, macarrão de arroz.

Tenho ainda o cuidado de passar as opções do plano alimentar no formato de refeições, para que o paciente não tenha que seguir somente uma lista de alimentos. O cardápio deve ser calculado de acordo com a sua tolerância particular, por meio de uma dieta individualizada e elaborada de acordo com suas preferências alimentares. Além disso, também é necessário oferecer opções de preparações culinárias com os ingredientes que o paciente pode utilizar, com receitas simples e práticas que geram mais adesão ao tratamento.

Vou deixar aqui um exemplo de receita de um pão delicioso e super fácil de fazer:

🍞 Receita de pão de banana baixo em FODMAPs 🍞

Ingredientes:

– 4 ovos

– 1 colher de chá de extrato de baunilha (opcional)

– 3 bananas bem maduras

– 1/2 xícara de óleo de coco

– 1/2 xícara de farinha de amêndoas

– 1/2 xícara de farinha de coco

– 1 colher de chá de fermento químico

– 1 colher de chá de canela

– 1 pitada de sal

Modo de preparo:

Pré-aqueça o forno em 180ºC. Em um recipiente misture os ingredientes secos (exceto o fermento) com as bananas amassadas. Em uma batedeira, bata os ovos com a baunilha e óleo de coco. Adicione em seguida os ingredientes secos e bata até obter uma mistura homogênea. Coloque a massa em uma forma untada e leve ao forno por aproximadamente 45 minutos a 180ºC.

Preciso lembrar que a dieta low FODMAPS deve ser SEMPRE acompanhada por profissional qualificado (médico e/ou nutricionista), pois não basta só retirar da alimentação os alimentos ricos em FODMAPS. Como falei anteriormente, as chances são altíssimas de inadequação na ingestão de vitaminas, minerais, fibras e compostos bioativos, sendo importantíssimo um acompanhamento adequado! Logo, se você está lendo esse texto e sente algum dos sintomas citados acima, não faça dieta por conta própria, pois você pode acabar com alguma deficiência nutricional!

Gostou de saber mais sobre FODMAPS? Lá no nosso Clube NBE você pode acompanhar a resolução de um caso clínico sobre este assunto. São mais de 40 casos resolvidos e comentados, sobre os mais variados temas. Conheça mais sobre a minha prática clínica e sobre a escola NBE – Nutrição Baseada em Evidência, clique aqui.

Referências:

Federação Brasileira de Gastroenterologia. Dieta com baixo teor de FODMAPs. 2016. Disponível aqui

Halmos EP, Power VA, Shepherd SJ, Gibson PR, Muir JG. A diet low in FODMAPs reduces symptoms of irritable bowel syndrome. Gastroenterology 2014;146(1):67-75. Disponível aqui

Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral. O que é FODMAP. 2016. Disponível aqui

Soares RL. Irritable bowel syndrome: a clinical review. World J Gastroenterol 2014; 20(34):12144-60. Disponível aqui

Cozma-Petruţ A, Loghin F, Miere D, Dumitraşcu DL. Diet in irritable bowel syndrome: What to recommend, not what to forbid to patients! World J Gastroenterol. 2017 Jun Disponível aqui

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