UMA DIETA INDIVIDUALIZADA: UM CAMINHO A SEGUIR!

By 12 de agosto de 2020Nutrição com Evidência

Você sabia que os alimentos podem ter efeitos benéficos ou efeitos adversos (colaterais), dependendo do genótipo do paciente?

Sabemos hoje que existe individualidade genética e bioquímica, que são as formas como cada organismo responde a fatores externos (como a alimentação) de forma diferente. Logo, não existe um único tipo de alimentação que faça todas as pessoas emagrecerem.

Pois bem, sabendo disso, quero destacar um estudo de revisão, publicado no ano passado: A Personalised Dietary Approach-A Way Forward to Manage Nutrient Deficiency, Effects of the Western Diet, and Food Intolerances in Inflammatory Bowel Disease, que trouxe a abordagem dietética personalizada em relação à doença inflamatória intestinal (DII) e também fez um adendo nas intolerâncias alimentares e como determinados genótipos podem afetá-los. Resolvi compartilhar com vocês, na intenção de salientar a importância de uma abordagem personalizada, com um conhecimento prévio de alguns aspectos genéticos e bioquímicos, que explicam essa variabilidade de respostas aos alimentos.

A sensibilidade de laticínios por exemplo, em pessoas com DII é cerca de 10% a 20%. Essa sensibilidade aos produtos lácteos está frequentemente associada à redução da enzima lactase (necessária para a digestão da lactose) na idade adulta. Sabe-se que na maioria dos mamíferos, a atividade da enzima lactase diminui logo após o desmame. Porém, nos seres humanos essa atividade enzimática pode persistir na vida adulta. Assim, essa persistência é uma característica determinada geneticamente. Na Europa, um único alelo – T-13910 do gene da lactase-clorofila hidrolase ( LCT ) – é o principal. Porém, na África e no Oriente Médio, muitas outras mutações estão associadas à persistência da lactase.

A doença celíaca também tem ligações genéticas. A intolerância ao glúten está associada a variantes genéticas do gene principal do complexo de histocompatibilidade, classe II, DQ alfa 1 (HLA-DQA1) e do complexo principal da histocompatibilidade, gene da classe II, DQ beta 1 (HLA-DQB1). Lembrando que existe o teste de anticorpos para detectar a doença. Porém, ainda não se tem um teste definitivo para a sensibilidade ao glúten não-celíaco, e o recomendado nesse caso, é evitar o consumo de alimentos que contenham glúten.

E por último, vou falar sobre os Foodmaps, que são oligo, di- e monossacáridos fermentáveis e polióis que, se reduzidos na dieta, demonstraram ser eficazes na diminuição dos sintomas abdominais associados à Sindrome do Intestino Irritável. Pesquisas recentes indicam que seguir uma dieta estrita em Foodmaps também pode afetar o genoma do microbioma e incentivar a microbiota intestinal a uma diminuição no Bifidobacterium. Pacientes com DII têm sua microbiota intestinal alterada e ao longo do tratamento pode ser necessário suplementar com bactérias importantes para um bom prognóstico do paciente.

Por isso, a importância de uma boa anamnese, a avaliação de exames bioquímicos e compreender a história clínica do paciente, só assim, conseguiremos ser assertivos no tratamento e acompanhamento do paciente!

Ref: Laing BB, Lim AG, Ferguson LR. A Personalised Dietary Approach-A Way Forward to Manage Nutrient Deficiency, Effects of the Western Diet, and Food Intolerances in Inflammatory Bowel Disease. Nutrients. 2019;11(7):1532. Published 2019 Jul 5. doi:10.3390/nu11071532

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