COACH DE SAÚDE E A ÉTICA

COACH DE SAÚDE E A ÉTICA

O Coaching em si não é pseudociência, pelo contrário. Apesar de haver necessidade de mais estudos, alguns ensaios pequenos já mostram bons resultados (J Acad Nutr Diet. 2013 Jul;113(7):928-35). O problema do Coaching é a forma como está sendo propagado.

Vejo cursos de formação com diferentes tempos de duração. Além dessa discrepância na duração, muitos acabam ultrapassando os limites e fazendo exercício ilegal de profissão ao prescrever dieta (a legislação diz que é atividade exclusiva do nutricionista). É aí que mora a falta de ética. Isso sem contar nas soluções simplistas para obesidade que já vi alguns proporem. De qualquer forma, é possível aliar o Coaching à prática clínica. Eu mesma tenho formação, mas não atuo. Apenas faço o que fiz com as diversas teorias e abordagens que aprendi: extraio as técnicas e ferramentas que considero úteis e aplico durante a consulta quando necessário.

Na Formação em Emagrecimento e Saúde dedico um módulo para falar justamente sobre as que mais utilizo na prática clínica! Então o Coaching pode sim ser um aliado na nutrição, principalmente o paciente apresenta resistência às mudanças. Mas é importante saber que há comportamentos que não são causa, são sintoma. Nesse caso, encaminhe o paciente para um psicólogo. Ser ético é também saber das nossas limitações e encaminhar o paciente quando necessário!

E nutris, não se esqueçam que o CFN desaconselha a denominação de “Nutricionista e Coach”. Caso você seja nutricionista e tenha curso de coaching, apenas indique em seu currículo!

NUTRI, VOCÊ PRESCREVE NUTRIENTES OU COMIDA?

NUTRI, VOCÊ PRESCREVE NUTRIENTES OU COMIDA?

Com os avanços da Nutrição de Precisão, estamos caminhando para o entendimento de que não só cada indivíduo responde de forma única aos variados nutrientes e fitoquímicos, como também que esses nutrientes e fitoquímicos podem modular a resposta genética e bioquímica dos indivíduos. É a Nutrigenética e a Nutrigenômica, respectivamente.

Um bom exemplo é o artigo de revisão publicado por Chilton e cols em 2017, no qual os autores levantam questões referentes à suplementação de ômega 3. Muitos desses estudos mostram efeitos benéficos, enquanto outros mostram efeito nulo. Os autores trazem evidências de que a suplementação deve ser individualizada, pois a resposta à suplementação depende da ingestão habitual de ômegas 3 e 6, da presença ou ausência de polimorfismos nos genes das vias das dessaturases, à utilização prévia de medicamentos, entre outros.

Sabendo dessa e de outras evidências envolvendo Nutrição de Precisão, quero te fazer uma pergunta: Nutri, o que você prescreve? Nutrientes ou comida?

Acho IMPORTANTÍSSIMO nos atualizarmos sobre esses assuntos, até para conseguir gerar cada vez mais resultados positivos no tratamento nutricional. Mas você está sabendo traduzir os nutrientes em um plano alimentar?

Constantemente me deparo com revisões sistemáticas demonstrando eficácia do nutriente X em determinado desfecho. O problema é que muita gente inclui a suplementação imediata desse nutriente na prática clínica, e não é bem assim. Várias dessas doses dos nutrientes presentes nos estudos são possíveis de serem alcançadas com alimentos!

Então quero deixar uma mensagem: pensemos no paciente em primeiro lugar. Com certeza é muito mais prazeroso para o paciente que você aumente a oferta de selênio, por exemplo, acrescentando castanha do Pará no plano alimentar do que simplesmente suplementando uma cápsula. Com algumas exceções, suplementação é muito bem-vinda, mas somente após não conseguir atingir a prescrição do nutriente através do alimento!

REFERÊNCIA CHILTON, F. et al. Precision nutrition and omega-3 polyunsaturated fatty acids: A case for personalized supplementation approaches for the prevention and management of human diseases. Nutrients, v. 9, n. 11, p. 1165, 2017.

VEGANISMO E O MELHOR PERFIL CARDIOMETABÓLICO

VEGANISMO E O MELHOR PERFIL CARDIOMETABÓLICO

Na internet há muita informação inverídica sobre vegetarianismo e veganismo. Quem adere a esse estilo de vida acaba muitas vezes inseguro em continuar, diante de tanta desinformação.
Como aqui só falo sobre Nutrição Baseada em Evidências, com base em pesquisas científicas, hoje quero falar sobre os efeitos da dieta vegana no perfil cardiometabólico!

Em uma meta-análise de estudos observacionais envolvendo 40 estudos e aproximadamente 200 mil indivíduos, Benatar e Stewart (2018) analisaram os efeitos da dieta vegana sobre marcadores de saúde cardiovascular, quando comparados a quem seguia uma dieta onívora.

Eles viram que os veganos no geral ingerem menos calorias e menos gordura saturada e apresentam menor IMC e menor perímetro de cintura. Quanto aos marcadores, a dieta vegana se mostrou superior: veganos têm menores taxas de colesterol LDL, triglicerídeos, glicose em jejum e pressão arterial (tanto sistólica quanto diastólica), com nível de significância muito alto (p<0,0001). Estudos avaliando desfechos cardiovasculares devem ser feitos em longo prazo para confirmar a cardioproteção que as dietas veganas promovem, mas pelo que os marcadores apontam, a dieta vegana é muito adequada! Se bem planejada, ela é SIM segura e cardioprotetora!

Fiquem de olho que quinta-feira falarei um pouco sobre os cuidados que temos que ter quando adotamos dietas vegetarianas ou veganas!

REFERÊNCIA
BENATAR, J. R.; STEWART, R. A. H. Cardiometabolic risk factors in vegans; A meta-analysis of observational studies. PloS one, v. 13, n. 12, p. e0209086, 2018.

PRECISAMOS TRATAR O ESTIGMA DO PESO!

PRECISAMOS TRATAR O ESTIGMA DO PESO!

Em uma cultura de fobia ao diferente e endeusamento de apenas um padrão de corpo, não podemos deixar de falar sobre o estigma do peso. Há todo um sistema de crenças e valores – perpetuados pela publicidade e pelas mídias – que faz com que tanta gente não aceite o corpo e o peso que tem.

Nossa função social, como nutricionistas, é promover saúde e qualidade de vida. Não somos somente emagrecedores! Devemos ter senso crítico e empatia para avaliar cada caso de forma individual e julgar se aquele paciente realmente necessita mudar o comportamento. E mesmo que precise emagrecer, será que com uma mentalidade de ódio ao corpo ele conseguirá um emagrecimento sustentável?

Alguns dados mostram que mais de 80% das norte-americanas, por exemplo, odeiam o próprio corpo. Isso é muito grave! Não podemos fechar os olhos para isso. Se o nosso atendimento for focado exclusivamente em peso, contribuiremos diretamente para a continuação desse quadro.

Então minha sugestão é alterar o foco de nossas consultas. Vamos ficar atentos aos antecedentes, aos sinais e sintomas, e principalmente às CAUSAS do sobrepeso e obesidade dos pacientes. E claro como é a relação com o corpo e a comida.
Imagine um paciente que relata que ingere fast-food com frequencia, por exemplo, a sua conduta certamente não vai ser: “fast food tem muita caloria, você precisa comer menos”. Ele SABE disso. O certo é compreender essa escolha! Pergunte a ele o que ele sente antes de comer e depois de comer, porque escolhe, qual o principal gatilho? Excesso de trabalho? Estresse? Falta de sono? Ou é por falta de tempo? Preço? Praticidade? Sabor?
Entenda a causa e atue em cima dela. Não foque apenas no peso!

FOME HEDÔNICA: UM DOS MAIORES DESAFIOS DA PRÁTICA CLÍNICA

FOME HEDÔNICA: UM DOS MAIORES DESAFIOS DA PRÁTICA CLÍNICA

Na rotina do consultório é extremamente comum recebermos pacientes que não conseguem “comer pouco” (nas palavras deles) ou que não conseguem se controlar frente a comida. A esse tipo de fome nós chamamos de fome hedônica!

A fome hedônica é um tipo de fome diferente da fome fisiológica. A fome fisiológica é a fome que sentimos quando o corpo sente que há realmente necessidade de se alimentar para cumprir suas funções. Já a fome hedônica está envolvida com diversos mecanismos moleculares não relacionados à sobrevivência. Ela está mais relacionada a mecanismos de recompensa e de prazer! (Lee & Dixon, 2017)

A origem da fome hedônica pode ser múltipla. A maior parte dos pacientes acaba desenvolvendo por histórico de dietas restritivas e falha terapêutica, por demandas psicológicas… mas a própria composição dos nutrientes pode também impactar nisso. O sistema endocanabinoide media esses processos e está diretamente relacionado à alimentação!

Nenhum tratamento nutricional funciona caso a fome hedônica não seja abordada. Episódios de compulsão podem se tornar frequentes. E é por isso que esse mês resolvi trazer para vocês no nosso Clube NBE um caso bem nítido de fome hedônica para que vocês vejam como abordo na prática clínica! Acesse no link https://anniebello.com.br/clube-nbe/

Uma dica: preste atenção aos sinais do paciente. Caso ele relate sentimentos ambíguos com a comida as chances são grandes dele possuir fome hedônica. Há ferramentas que ajudam a diagnosticar. Uma delas está disponível como material complementar para os assinantes do Clube!

E você, como lida com a fome hedônica do paciente? É comum na sua prática clínica? Me conta aqui embaixo que amanhã falo um pouco sobre como eu faço!

REFERÊNCIAS
LEE, P. C.; DIXON, J. B. Food for Thought: Reward Mechanisms and Hedonic Overeating in Obesity. Current Obesity Reports, v. 6, n. 4, p. 353-361, 2017.

APENAS 2,5% DOS AMERICANOS NÃO FUMAM, FAZEM EXERCÍCIO, TEM ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL E % DE GORDURA NORMAL

APENAS 2,5% DOS AMERICANOS NÃO FUMAM, FAZEM EXERCÍCIO, TEM ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL E % DE GORDURA NORMAL

2019 acabou de começar! Um ano novo, cheio de novos desejos, novos sonhos e novas conquistas por vir. Por tudo isso acho importante falarmos sobre saúde também!⠀

A prevalência de doenças crônicas não-transmissíveis não para de crescer. As doenças cardiovasculares continuam sendo as maiores causas de mortes evitáveis no mundo! Quando falamos sobre a NECESSIDADE de mudança de estilo de vida é por isso!⠀

É alarmante ver como está o estilo de vida da população. Em um estudo conduzido nos Estados Unidos, Loprinzi e colaboradores (2016) verificaram que em uma amostra representativa da população (4745 indivíduos), apenas 2,5% apresentavam os 4 fatores protetores do estilo de vida! É uma taxa MUITO baixa!⠀

Esses 4 fatores são: não fumar, realizar atividade física, ter alimentação saudável e possuir percentual de gordura corporal adequado. Os pesquisadores viram que, em quem possuía 3 ou 4 fatores, os níveis de diversos marcadores de saúde cardiovascular (perfil lipídico, insulina, inflamação etc) eram muito mais adequados do quem em quem possuía nenhum fator protetor. Quem possuía pelo menos 1 ou 2 fatores de proteção se beneficiou comparado a quem não tinha nenhum, mas o efeito mais proeminente foi em quem possuía 3 ou 4.⠀

Ou seja, antes de qualquer inovação ou estratégia de nutrição de precisão, precisamos “arrumar a casa”. Esses 4 fatores DEVEM ser trabalhados acima de tudo! Nenhuma estratégia funciona se a base não estiver fortalecida. Precisamos ser mais enfáticos na mudança de estilo de vida!⠀

REFERÊNCIA⠀
LOPRINZI, P. D. et al. Healthy lifestyle characteristics and their joint association with cardiovascular disease biomarkers in US adults. In: Mayo Clinic Proceedings. Elsevier, 2016. p. 432-442.
Annie Bello Phd
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